A organização dos indicadores do HHFA
O inventário de indicadores
O Harmonized Health Facility Assessment (HHFA) não é um questionário com resultados associados. É um conjunto de indicadores definidos à partida, e um questionário construído para os alimentar. O guia de referência é explícito quanto à ordem: a seleção de conteúdo conduz-se pelas necessidades de informação, ou seja pelos indicadores, e as perguntas escolhem-se depois, em função dos indicadores necessários.
O inventário completo vive numa plataforma em linha, indicator-inventory.hhfa.online, e pode ser descarregado como ficheiro Excel. Contém 2.604 indicadores. Para cada um regista-se o identificador permanente de três letras, a posição na árvore de classificação, os módulos do questionário em que aparece, o denominador, a metodologia de cálculo, o método de recolha, e o código de cálculo escrito em referências às perguntas do questionário.
Este capítulo descreve a organização do inventário. O capítulo seguinte trata dos indicadores em si — a sua anatomia, a forma como se compõem a partir de várias perguntas, e as consequências disso para quem tenha de encurtar o instrumento.
A árvore de cinco níveis
Os indicadores organizam-se numa hierarquia, e o número de cada indicador é o caminho até ele na árvore:
dimensão . área . subárea . tabela . indicador
O indicador 2.3.1.1.8. lê-se: dimensão 2, prontidão geral dos serviços; área 3, capacidade diagnóstica básica; subárea 1; tabela 1; oitavo indicador dessa tabela. É a percentagem de unidades com capacidade de diagnóstico de malária no local.
A tabela é o nível que mais interessa na prática: é a unidade de apresentação no relatório final. A plataforma de análise produz uma tabela por cada nó deste nível, com os seus indicadores em colunas e as variáveis de estratificação em linhas. São 287 tabelas. Decisões sobre o que incluir ou excluir tomam-se ao nível da tabela ou da subárea, quase nunca ao nível do indicador isolado.
| Nº | Dimensão | Indicadores | Áreas | Subáreas | Tabelas | Calculáveis |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Disponibilidade geral dos serviços | 428 | 4 | 11 | 72 | 71 |
| 2 | Prontidão geral dos serviços | 225 | 8 | 13 | 19 | 205 |
| 3 | Disponibilidade e prontidão específicas por serviço | 1484 | 7 | 37 | 119 | 1478 |
| 4 | Sistemas de gestão e finanças | 358 | 5 | 12 | 55 | 358 |
| 5 | Qualidade clínica dos cuidados | 109 | 4 | 6 | 22 | 0 |
| Total | 2604 | 28 | 79 | 287 | 2112 |
A coluna “calculáveis” refere-se ao questionário combinado de disponibilidade, prontidão e gestão e finanças, com questões core e additional. É a versão em uso quando se implementam os três módulos de auditoria da unidade. Os 492 indicadores que ficam de fora dependem de outros instrumentos: a revisão de registos individuais do módulo de qualidade dos cuidados, o questionário suplementar de estrutura do edifício, ou a numeração da Secção 2, que a versão combinada omite por integrar esse conteúdo no módulo de prontidão.
As cinco dimensões
Dimensão 1 — Disponibilidade geral dos serviços
Mede o que existe: infraestrutura, camas, efetivos, e que serviços a unidade declara oferecer. É a dimensão que sustenta a atualização da lista mestra de unidades sanitárias (master facility list).
| Nº | Área | Indicadores | Subáreas | Tabelas | Calculáveis |
|---|---|---|---|---|---|
| 1.1 | Infraestrutura de saúde | 247 | 4 | 41 | 17 |
| 1.2 | Força de trabalho | 72 | 3 | 14 | 44 |
| 1.3 | Serviços disponíveis | 106 | 3 | 16 | 8 |
| 1.4 | Pontuações de índice | 3 | 1 | 1 | 2 |
Duas subáreas exigem denominador populacional externo — as densidades de unidades e de força de trabalho — e por isso só se calculam quando o inquérito é feito como censo. Uma parte substancial da dimensão (a subárea de estrutura e segurança do edifício, com 196 indicadores) pertence ao questionário suplementar e não ao combinado.
As subáreas 1.3.2 e 1.3.3, de disponibilidade declarada de serviços e de tecnologias, trazem uma ressalva no próprio inventário: destinam-se aos casos em que o módulo de prontidão não é implementado. Quando ele é implementado, duplicam a dimensão 3.
Dimensão 2 — Prontidão geral dos serviços
Mede a capacidade transversal da unidade, independentemente do serviço: se há água e energia, se há termómetro e balança, se há como fazer uma hemoglobina, se há medicamentos essenciais, se há como prevenir uma infeção.
| Nº | Área | Indicadores | Subáreas | Tabelas | Calculáveis |
|---|---|---|---|---|---|
| 2.1 | Amenidades básicas | 30 | 2 | 4 | 28 |
| 2.2 | Equipamento básico | 14 | 1 | 1 | 12 |
| 2.3 | Capacidade diagnóstica básica | 13 | 1 | 1 | 11 |
| 2.4 | Medicamentos e comodidades essenciais | 117 | 5 | 7 | 107 |
| 2.5 | Precauções padrão para prevenção e controlo de infeção | 25 | 1 | 2 | 21 |
| 2.6 | Índice de prontidão geral | 1 | 1 | 1 | 1 |
| 2.7 | Sistemas de referência | 6 | 1 | 1 | 6 |
| 2.8 | Preparação e resiliência para emergências | 19 | 1 | 2 | 19 |
É a dimensão mais compacta e a mais densamente utilizada. As suas cinco primeiras áreas são os domínios do índice de prontidão geral, descrito adiante. Um exemplo de indicador: percentagem de unidades com um oxímetro de pulso funcional na área principal de prestação (área 2.2, equipamento básico).
Dimensão 3 — Disponibilidade e prontidão específicas por serviço
É a maior das cinco, com 57% dos indicadores. Para cada serviço pergunta-se duas coisas em sequência: a unidade oferece o serviço, e, oferecendo, tem condições para o prestar.
| Nº | Área | Indicadores | Subáreas | Tabelas | Calculáveis |
|---|---|---|---|---|---|
| 3.1 | Saúde reprodutiva, materna, neonatal, infantil e adolescente | 426 | 9 | 29 | 424 |
| 3.2 | Doenças transmissíveis | 374 | 10 | 30 | 373 |
| 3.3 | Doenças não transmissíveis | 224 | 6 | 22 | 224 |
| 3.4 | Serviços cirúrgicos | 146 | 3 | 10 | 146 |
| 3.5 | Serviços de urgência | 151 | 2 | 12 | 150 |
| 3.6 | Serviços para necessidades especiais | 73 | 3 | 9 | 71 |
| 3.7 | Diagnóstico e tratamento especializado | 90 | 4 | 7 | 90 |
A estrutura repete-se serviço a serviço. Na tuberculose, por exemplo: disponibilidade do serviço, disponibilidade por grupo etário, prontidão, prontidão para tuberculose resistente, e indicadores auxiliares sobre medicamentos. Na diabetes: disponibilidade, prontidão, e auxiliares.
Duas subáreas merecem nota pela dimensão. Parto e cuidados obstétricos e neonatais de emergência básicos (3.1.3) tem 111 indicadores e inclui as funções-sinal, que são o núcleo da avaliação obstétrica. Cirurgia major (3.4.2) tem 116 indicadores repartidos por cirurgia geral, cirurgia obstétrica e ginecológica, anestesia e controlo de infeção no bloco — e é conteúdo de nível hospitalar.
Dimensão 4 — Sistemas de gestão e finanças
Mede se existem estruturas e práticas de gestão que sustentem a prestação continuada.
| Nº | Área | Indicadores | Subáreas | Tabelas | Calculáveis |
|---|---|---|---|---|---|
| 4.1 | Governação e gestão | 67 | 2 | 11 | 67 |
| 4.2 | Finanças e contabilidade | 80 | 3 | 13 | 80 |
| 4.3 | Sistemas de apoio ao pessoal | 22 | 1 | 4 | 22 |
| 4.4 | Qualidade e segurança | 82 | 3 | 13 | 82 |
| 4.5 | Sistemas de informação em saúde | 107 | 3 | 14 | 107 |
Esta dimensão distingue-se das restantes numa propriedade que tem consequências práticas: as suas perguntas quase não são partilhadas com outras áreas. Em prontidão, a mesma pergunta sobre o microscópio alimenta a capacidade diagnóstica geral, a prontidão da malária e a prontidão do laboratório. Em gestão e finanças, uma pergunta sobre a auditoria das contas alimenta apenas a subárea de prestação de contas financeira.
Um exemplo de par de indicadores desta dimensão, que se trata em detalhe no capítulo seguinte: percentagem de unidades com calendário de manutenção rotineira das viaturas e percentagem de unidades que cumpre rotineiramente esse calendário. A distância entre os dois números é a medida de estruturas que existem no papel e não funcionam na prática.
Dimensão 5 — Qualidade clínica dos cuidados
Mede se o doente recebeu o cuidado conforme a norma, conforme documentado no seu processo individual.
| Nº | Área | Indicadores | Subáreas | Tabelas | Calculáveis |
|---|---|---|---|---|---|
| 5.1 | Consulta pré-natal | 19 | 1 | 2 | 0 |
| 5.3 | VIH | 50 | 3 | 11 | 0 |
| 5.4 | Tuberculose | 22 | 1 | 5 | 0 |
| 5.5 | Malária | 18 | 1 | 4 | 0 |
Toda esta dimensão depende do módulo 3, de revisão de registos, com metodologia própria e amostragem de processos. Nenhum dos seus 109 indicadores é calculável a partir do questionário combinado. O guia desaconselha implementar os três módulos de auditoria da unidade em conjunto com o de qualidade, por a carga de formação e de recolha ficar excessiva.
Os domínios de prontidão
Dentro das tabelas de prontidão existe uma segunda classificação, transversal às dimensões 2 e 3, registada na coluna Domain do inventário. Marca 643 indicadores e decompõe a prontidão em quatro componentes que se repetem em cada serviço:
| Domínio de prontidão | Indicadores |
|---|---|
| Medicamentos e comodidades | 229 |
| Pessoal e guias | 159 |
| Equipamento | 142 |
| Diagnóstico | 68 |
| Outras marcações residuais | 45 |
Para a diabetes, por exemplo: pessoal formado e guias de tratamento; equipamento, incluindo balança e esfigmomanómetro; diagnóstico, incluindo glicemia; medicamentos, incluindo metformina e insulina. A mesma decomposição aplica-se ao pré-natal, ao VIH, à tuberculose e aos restantes serviços.
Como os indicadores agregam
Há dois níveis de composição, e comportam-se de maneira diferente.
O índice de prontidão geral dos serviços é a média não ponderada de cinco pontuações de domínio. Cada pontuação é uma fração de denominador fixo: amenidades básicas sobre 7 itens, equipamento básico sobre 12, precauções padrão sobre 12, capacidade diagnóstica sobre 9, medicamentos essenciais sobre 30. Os 70 itens traçadores estão listados nominalmente no Anexo 1 do guia de referência.
Os índices de prontidão específica de cada serviço seguem a mesma lógica dentro de cada tabela: média dos itens dos quatro domínios de prontidão desse serviço.
O denominador fixo é a razão pela qual retirar itens de dentro destas listas não é uma decisão neutra. Recalcular com denominador menor redefine o índice e quebra a comparabilidade; manter o denominador original faz com que nenhuma unidade possa atingir a pontuação máxima. O capítulo seguinte desenvolve este ponto.
Indicadores core e additional
A distinção acompanha a das perguntas. Os indicadores core derivam de perguntas core e representam o conjunto mínimo recomendado; os additional derivam de perguntas additional e acrescentam detalhe. Dos 2.604 indicadores, 2.089 aparecem em pelo menos um questionário core.
A implicação prática é que a opção “implementar apenas as questões core” é a redução de âmbito mais simples e mais defensável que existe — mas não é gratuita. Há 175 indicadores que dependem exclusivamente de perguntas additional, entre eles o bloco de prestação de contas financeira.
As marcações SARA e PHC
O inventário traz duas colunas de marcação cujo estatuto convém esclarecer.
A coluna SARA identifica os indicadores herdados do Service Availability and Readiness Assessment (SARA), o instrumento anterior que o HHFA absorveu e expandiu. Serve comparabilidade histórica: um indicador marcado SARA pode ser confrontado com inquéritos anteriores do mesmo país e com inquéritos de outros países que usaram o SARA. Tem três valores: 562 marcados Yes, 84 marcados Yes (partial) e 1.958 marcados No.
A coluna PHC marca 974 indicadores e não está definida em nenhum dos guias do HHFA nem nas páginas públicas do instrumento. Empiricamente, a marcação acompanha a prontidão e não o nível de cuidados: 79% dos indicadores de tabelas de prontidão estão marcados, contra 16% dos de tabelas de disponibilidade. Conteúdo claramente hospitalar aparece marcado — a transfusão de sangue está marcada nos seus 14 indicadores, os cuidados obstétricos de emergência abrangentes em 25 de 29 — o que exclui a leitura de que identifique indicadores pertinentes ao nível dos cuidados de saúde primários. Enquanto o significado não for confirmado junto da equipa de coordenação do HHFA, esta coluna não deve ser usada como critério de seleção.
Implicações para a seleção de conteúdo
Três observações fecham o capítulo.
A dimensão 3 concentra 57% dos indicadores. Qualquer redução significativa do âmbito passa por decidir de que serviços é necessário conhecer a prontidão. Se a resposta for “de todos”, o esforço de redução tem de vir de outro lado que não o conteúdo.
As perguntas são partilhadas entre indicadores. Abandonar uma subárea liberta apenas as perguntas que mais nenhuma subárea usa, e essa fração varia muito: em medicamentos essenciais quase nada se liberta, em sistemas de gestão de dados liberta-se tudo.
E os índices são frágeis a cortes parciais. Excluir uma tabela inteira é uma perda limpa e declarável; retirar itens de dentro de um índice produz um número que continua a sair e deixa de significar o que diz significar.