HHFA Português

O que é

O Harmonized Health Facility Assessment (HHFA, avaliação harmonizada de unidades sanitárias) é um inquérito padronizado às unidades sanitárias, desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no âmbito do Health Data Collaborative. Avalia a disponibilidade de serviços, a capacidade de recursos e os sistemas de gestão das unidades.

O HHFA substitui o Service Availability and Readiness Assessment (SARA, avaliação da disponibilidade e prontidão dos serviços) da OMS e incorpora elementos do Service Provision Assessment (SPA, avaliação da prestação de serviços) e dos Service Delivery Indicators (SDI, indicadores de prestação de serviços). Foi publicado em 2021 e os questionários foram revistos em junho de 2023.

O HHFA é um inquérito às unidades. Não mede a cobertura da população, as barreiras geográficas, os obstáculos financeiros ao acesso nem o comportamento dos utentes. Essas dimensões exigem inquéritos aos agregados familiares ou outras metodologias.

Os quatro módulos

Módulo Pergunta a que responde Conteúdo Método
1. Disponibilidade dos serviços A infraestrutura básica e os serviços existem? Infraestrutura, pessoal, camas, serviços oferecidos Auditoria da unidade
2. Prontidão dos serviços Os pré-requisitos de um serviço de qualidade estão presentes? Normas, pessoal formado, equipamento, diagnóstico, medicamentos Auditoria da unidade
3. Qualidade do cuidado Os doentes receberam cuidados de acordo com as normas? Adesão às normas registada nos processos clínicos Revisão retrospetiva de registos
4. Gestão e finanças Existem sistemas que sustentem a disponibilidade e a qualidade? Governação, finanças, pessoal, gestão de produtos, sistemas de informação, garantia da qualidade Auditoria da unidade

A auditoria da unidade combina entrevistas a informantes-chave com observação direta. O módulo 3 exige a revisão retrospetiva de uma amostra de processos clínicos individuais.

Organização das perguntas

Cada pergunta é nuclear (o mínimo recomendado) ou adicional (detalhe sobre temas selecionados). No questionário em papel, a coluna Mod/Ind mostra, antes da barra, a sigla do módulo — por exemplo, A_C para disponibilidade nuclear e R_C para prontidão nuclear — e, depois dela, o código permanente de três letras do indicador.

A relação entre perguntas e indicadores é de muitos para muitos: uma pergunta pode alimentar vários indicadores, e um indicador pode precisar de várias perguntas.

Dimensões de serviço

Os indicadores organizam-se em cinco dimensões de serviço:

  1. disponibilidade geral;
  2. prontidão geral (comodidades básicas, equipamento, prevenção de infeção, diagnóstico e medicamentos essenciais);
  3. disponibilidade e prontidão específicas por serviço;
  4. sistemas de gestão e finanças;
  5. qualidade clínica do cuidado.

Requisitos de implementação

Base de amostragem. A implementação exige uma lista-mestra de unidades sanitárias atualizada. O HHFA pode ser feito como censo, que atualiza a lista-mestra e produz dados nacionais, ou por amostra representativa.

Recolha. Usa uma aplicação CSPro em dispositivos Android.

Análise. É feita na plataforma de análise do HHFA, que produz tabelas, gráficos e mapas padronizados.

Regras para aplicar o inquérito

A recolha é conduzida pelos indicadores. Todos os dados recolhidos devem estar ligados a indicadores claramente definidos (Guia Abrangente, p. 13). O país começa por rever o inventário de indicadores, identifica os de que precisa e só depois escolhe os questionários e as perguntas (Guia Abrangente, p. 16).

Não aplicar todos os módulos em todas as unidades. O ciclo recomendado é este (Guia Abrangente, p. 6):

  • módulo de disponibilidade nuclear como censo de todas as unidades, de 5 em 5 anos;
  • restantes módulos por amostra, de 1 a 3 anos;
  • a prontidão, o módulo mais extenso, pode alternar com gestão e finanças e com qualidade do cuidado.

Escolher entre censo e amostra conforme o objetivo (Guia Abrangente, p. 29):

  • o censo é necessário para atualizar a lista-mestra e para calcular densidades de unidades, camas e pessoal por população;
  • a amostra serve para estimativas nacionais ou, com mais unidades, para comparar províncias.

Recolher por local, não por tema. O questionário combinado está organizado por local de serviço e por respondente: consulta externa, serviços específicos, laboratório, farmácia. Um mesmo indicador pode precisar de perguntas feitas em vários locais.

Formar os inquiridores durante 8 a 10 dias, incluindo um dia de prática no terreno, depois de uma formação de formadores (Guia Abrangente, p. 48).

O que fazer e o que não fazer ao selecionar as perguntas

TipO que fazer
  • Partir dos indicadores e não das perguntas. A seleção de conteúdo é conduzida pelos indicadores necessários.
  • Decidir por tabela inteira. Todos os indicadores de uma tabela partilham o mesmo denominador (Guia Abrangente, p. 60). Retirar uma tabela inteira é uma perda limpa e declarável.
  • Antes de retirar uma tabela, verificar três coisas:
    • de que pergunta de abertura depende, e que tabelas dependem dela;
    • quantas das suas perguntas não são usadas por nenhuma outra tabela;
    • quantas unidades da amostra vão cair no denominador.
  • Usar a seleção de módulos e níveis na aplicação CSPro (nuclear, nuclear mais adicional, suplementar). O que não for selecionado é desligado automaticamente (Guia do Gestor de Dados, pp. 37–38).
  • Desligar perguntas ou secções pela folha de ativação, que reajusta os saltos automaticamente (Guia do Gestor de Dados, pp. 38–41).
  • Se for preciso reduzir mais, usar o desenho modular — alternar módulos ao longo do tempo — em vez de eliminar perguntas.
CautionO que não fazer
  • Escolher as perguntas a cortar pela leitura do texto. Nos testes feitos, sobreviveram apenas 36% dos indicadores, e o corte produziu viés.
  • Cortar um ramo de um indicador composto. Um indicador perdido é honesto. Um indicador enviesado entra no relatório como facto.
  • Cortar as perguntas que abrem cada secção. Perdem-se os indicadores de disponibilidade e quebram-se os saltos do CSPro.
  • Manter a pergunta de abertura e cortar todo o conteúdo por baixo dela. É tempo gasto sem nenhuma medição.
  • Cortar as opções de verificação (“observado”, “referido, não visto”). São todo o conteúdo probatório desses indicadores.
  • Cortar itens dentro de um índice. O índice continua a ser calculado, mas perde o seu significado original.
  • Apagar perguntas da aplicação CSPro. Pode bloquear o programa. O caminho é desligar (Guia do Gestor de Dados, p. 74).
  • Reordenar as perguntas dentro do CSPro. Obriga a verificar todos os saltos e é propenso a erro (Guia do Gestor de Dados, p. 74). A reorganização faz-se pela distribuição das secções entre os inquiridores.
  • Encurtar a formação dos inquiridores. Um inquiridor mal formado é mais lento e produz pior dado.

Referências

  • OMS. Harmonized Health Facility Assessment (HHFA): Comprehensive guide. Genebra: Organização Mundial da Saúde; 2022.
  • OMS. Harmonized Health Facility Assessment (HHFA): Data manager guide. Genebra: Organização Mundial da Saúde; 2023.